Agosto

Agosto é um bom mês!

Esta é a conclusão a que cheguei esta semana. Como se não bastasse o calor, a boa disposição de todos os que estão ou vão de férias, os passeios em família, as saídas com os amigos, as viagens, a maior quantidade de tempo livre e, na verdade, de tempo para não fazer absolutamente nada (que também é tão importante), tem sido também um mês para sonhar muito e fazer por concretizar alguns desses sonhos, trabalhar um pouco (daquele trabalho com prazer, sem prazos e sem grandes pressões externas) e organizar a vida e as ideias.

Geralmente o mês de Agosto dá-me esta sensação de descanso vs um mundo inteiro de possibilidades. Deve ter alguma coisa a ver com a aproximação do início do ano lectivo, que não deixa de ser um recomeço para mim, mas não vamos já pensar em trabalho…

Esta semana dei uma voltinha pela cidade de Lisboa e, sem querer, esbarrei em duas antigas casa do meu querido Fernando Pessoa. Ficam as duas quase na mesma rua, na zona de São Bento. Esta cidade é linda e dá mesmo vontade de nos perdermos nela. Em cada rua surge uma surpresa e nunca nos cansamos dela (pelo menos eu não me canso).

Mercearia/Café A Saloia (merece uma visitinha)

Mercearia/Café A Saloia (merece uma visitinha)

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Antiga casa de Fernando Pessoa ao lado da Mercearia A Saloia

Antiga casa de Fernando Pessoa ao lado da Mercearia A Saloia

Casa de Fernando Pessoa

Casa de Fernando Pessoa

Mais uma casa onde viveu o Poeta

Mais uma casa onde viveu o Poeta

Casa de Fernando Pessoa

Casa de Fernando Pessoa

Só por gostar tanto de Lisboa e do nosso Fernando Pessoa, deixo-vos um poema dele de que gosto muito:

Ai, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que farias tu com ela?
—Tirava os brincos do prego,
Casava c’um homem cego
E ia morar para a Estrela.

Mas Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que diria tua mãe?
— (Ela conhece-me a fundo.)
Que há muito parvo no mundo,
E que eras parvo também.

E, Margarida,
Se eu te desse a minha vida
No sentido de morrer?
— Eu iria ao teu enterro,
Mas achava que era um erro
Querer amar sem viver.

Mas, Margarida,
Se este dar-te a minha vida
Não fosse senão poesia?
— Então, filho, nada feito.
Fica tudo sem efeito.
Nesta casa não se fia.

Comunicado pelo Engenheiro Naval Sr. Álvaro de Campos em estado de inconsciência alcoólica.

Podem ler este poema aqui e outros aqui e podem ouvir este poema cantado aqui. O que se pode querer mais?! 😛

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6 thoughts on “Agosto

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