Cores do ser humano

Há coisas que me custam um bocadinho a entender (sim, sim, já sei que sou uma lírica, cheia de ideias sonhadoras e idealistas). Uma delas é a incapacidade de certas pessoas se colocarem no lugar do outro e pensar como se sentiriam naquela situação.

Ora vamos lá tentar ver um caso prático: se eu tenho capacidade para fazer alguém passar um mau bocado (daqueles mesmos maus), se eu acho que, por algum acaso da vida, essa pessoa até deveria passar um mau bocado (para “aprender” como se diz por aí), temos duas opções (pronto, teríamos mais, mas eu apresento só duas):

1- Damos cabo da vida ao desgraçado, porque ele “merece” (sim, nós é que decidimos quem merece o quê) e dormimos descansadinhos à noite, porque conseguimos fazê-lo “aprender”.

2- Não agimos da maneira como nos apetecia, porque quando pensamos naquele mau bocado que poderíamos fazer essa pessoa passar, lembramo-nos que se fosse connosco não iriamos gostar nada, lembramo-nos de que a nossa consciência não nos vai deixar dormir à noite depois de, deliberadamente, provocar sofrimento aos outros, pensamos que as outras pessoas são seres humanos como nós e que merecem o melhor como nós. Resumindo, não o fazemos porque somos capazes de nos colocar no lugar do outro e de agir com compaixão, pensando numa forma positiva de fazer com que a pessoa “aprenda” (aquilo a que se costuma chamar “uma chapada sem mão”), mas não magoamos os outros sem pensar no seu sofrimento porque somos PESSOAS.

4a90f900c66a8e13c94bb334f67ec983

Frase de Sartre roubada ao Pinterest

Pronto, se calhar as minhas duas hipóteses foram um bocado tendenciosas, se calhar não consigo encontrar grandes vantagens no ponto 1, mas acho que perceberam a minha ideia.

Estou longe de ser perfeita ou santa (só quando espirro e não é sempre), mas será assim tão errado pensar que não é com maldade que respondemos aos outros ou que resolvemos seja que situação for? Serei a única a pensar que do outro lado (seja qual for o lado) está um ser que merece tanto respeito e tanta consideração como eu gostaria que tivessem por mim?

Há situações em que a pessoa realmente não merece grande respeito, mas nesses casos a solução é ignorar completamente a pessoa, em vez de pensar em arruinar-lhe o dia. Mas isto sou só eu…

Digam-me tudo: há alguém por aí que consegue ver as coisas como eu ou estou desesperadamente a precisar de um ajuste à realidade?!

Anúncios

9 thoughts on “Cores do ser humano

  1. contadordestorias

    Eu costumo dizer que, no final, é a nós próprios que levamos. Isto para explicar que mais vale fazer o bem do que o mal, porque mesmo que nos façam mal a nós, é com a nossa própria consciência que vamos ter de lidar, não com as dos outros. E penso que, a longo prazo, o que nos fizeram passa, já o que fizemos aos outros.. Acho que nos devemos sempre, sempre, colocar na pele do outro. é por isso que eu fico fula quando há pessoas a serem mal-educadas com pessoal de call-center. Estão a fazer o trabalho delas, e são pagas para serem chatas. Nada me chateia mais do que a austeridade mal direccionada. Para sermos adultos e sérios não precisamos de ser idiotas.
    Beijinhos! 🙂

    Liked by 1 person

    Responder
  2. Paulo Vasco

    Na nossa profissão são tantos os casos a que assistimos … de tentativas gratuitas em destruir o outro. Felizmente, ainda que em minoria, também nos deparamos com o outro lado: o da transferência. Perante qualquer situação não vivida, a melhor forma de compreendermos e ajudar o nosso semelhante, é realizando a referida transferência.
    A vingança, essa apenas nos destrói enquanto idealizamos planos maquiavélicos (ou que assim se querem). Nada como dar tempo ao tempo. Até porque o mau, muitas vezes acontece para nosso bem.

    Liked by 1 person

    Responder
  3. Raphaella Cabral

    Eu concordo com você. E também tento agir de acordo com o que você disse. Até porque, quem somos nós para definir quem merece o quê e quem deve pagar o quê e como algum vai aprender algo? O qual melhores somos para definir isso? Para definir o fardo alheio estamos sempre dispostos, mas nunca queremos calçar os sapatos de ninguém.
    Já comprei brigas por defender o lado desfavorecido. E sabe, não vale a pena penalizar alguém, não tem como ir dormir bem depois de fazer alguém “pagar por algo”, sendo que eu tenho defeitos. Todos temos.
    Amei o post. Me idenrifiquei e me fez pensar.
    ;*

    Liked by 1 person

    Responder
  4. poucotrintona

    Há pessoas que simplesmente são más, são frustradas e invejosas. Portanto, não se regem pelos mesmos princípios que os comuns seres humanos (que tanto são capazes de compaixão como de maldade, mas não lidam bem com a segunda, no final do dia). Temos de aceitar isso e não podemos esperar dos outros que nos tratem como os tratamos porque pode não existir essa reciprocidade.

    Liked by 1 person

    Responder

Comentar aqui

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s