Trabalho no Boteco

Não, não comecei um part-time num Boteco! Agora que se aproxima o período de férias para a maioria, as meninas do Boteco resolveram reflectir sobre o trabalho.

Há muita coisa que poderia dizer sobre este tema… Os bons trabalhos e os menos bons que fui tendo ao longo destes anos, a dificuldade em conciliar o trabalho com a minha vida pessoal e o meu papel de mãe, a dificuldade em encontrar uma profissão que me realize, a necessidade de trabalhar que me levou a aceitar trabalhos muuuito desinteressantes… No entanto, escolhi falar-vos sobre a minha situação actual: o trabalho como professora.

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Já aqui deixei algumas reflexões e alguns desabafos sobre isto de ser professor em Portugal. Apesar de tudo, posso dizer que tenho tido sorte: trabalho numa instituição diferente da maioria, posso trabalhar com os alunos dentro das áreas que estudei, abordando os assuntos da forma que me parece melhor e fazendo o tipo de avaliação que me parece mais justa (felizmente tenho liberdade para decidir isso), trabalho relativamente perto de casa e consigo ser uma mãe bastante presente (pelo menos até à data).

Tem coisas menos boas?! Pois tem. Como a maioria dos professores (não apenas do nosso país, porque vou acompanhando blogs de professores de outros países que têm mais ou menos as mesmas queixas), sinto que este trabalho não é valorizado dentro da nossa sociedade, o pagamento roça o ridículo, tendo em conta todo o desgaste e dedicação que temos de ter (há professores bem pagos, mas não costuma ser o caso de professores jovens em início de carreira), o trabalho que temos fora da sala de aula e todo o trabalho que temos mesmo de trazer para casa é difícil de gerir e leva qualquer um à loucura (não é possível ir para casa descansar e desligar completamente do trabalho), a falta de férias/dias de descanso (não, os professores não têm as mesmas férias que os alunos e só podem tirar férias no mês de Agosto, porque antes disso as escolas têm de estar sempre a funcionar), a ginástica que temos de fazer para conseguir manter alguma vida pessoal (quantas vezes tenho de dizer a amigos e família que não posso ir ou fazer alguma coisa porque tenho testes para corrigir ou aulas para preparar, por exemplo), a necessidade de estar sempre disponível, acessível e bem disposto  mesmo quando só nos apetece mandar tudo à fava (os alunos não vão compreender que hoje estou a ter um mau dia, ou que estou com uma dor de cabeça horrível e que nem os posso ouvir. Não há disso numa escola. O professor tem de estar sempre disponível e animado), a ginástica que é preciso fazer para gerir um grupo de mais de 30 crianças, com personalidades diferentes, gostos diferentes, interesses diferentes, idades diferentes, situações pessoais e familiares diferentes (vocês entenderam)…

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Se este era o meu trabalho de sonho? Era aquilo que eu dizia que ia ser quando fosse grande? Não. Nem lá perto.

Se este é um trabalho que me realiza e me faz acordar todos os dias feliz por ir trabalhar? Não. Nem por isso.

Se gosto do que faço e se é o melhor trabalho que tive até hoje? Sim. Com toda a certeza.

Não me sinto feliz e motivada por ter de lidar com todos os obstáculos que esta profissão me cria, mas é algo que me dá gosto fazer e que, apesar de tudo o que disse antes, me dá muitos momentos bons. Quando penso em todos os trabalhos que já tive e em todas as situações profissionais que conheço por aí, sinto que é um dos melhores trabalhos que poderia ter neste momento.

o escolhido

Não deixem de ler os outros textos do Boteco. Podem encontrar os links para os outros blogs aqui.

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10 thoughts on “Trabalho no Boteco

  1. Cláudia Dias

    Não sou professora (apesar de, ao contrário de ti, quando era pequena era o que queria ser quando fosse grande 😛 ), mas imagino que seja um trabalho muitas vezes ingrato. Tantas vezes eu enquanto aluna pensava que nós é que tínhamos tanto trabalho a escrever aquelas respostas tão longas no teste, sem pensar no trabalho que o(a) prof tinha depois de ler tudo aquilo! Eu até tenho uma teoria, que alguns testes são de escolha múltipla (especialmente na faculdade, a maioria era) para os professores terem menos trabalho a corrigir eheheheh 😛
    Sempre foste ver daquele projeto que te falei há uns tempos, a campanha “Inspira o teu Professor”?
    beijinho

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    1. T. Post author

      É verdade Cláudia. Também só me comecei a aperceber de todo o trabalho quando cheguei ao “outro lado”. Enquanto aluna pensava como tu.😛 Na altura fui pesquisar sobre esse projecto “Inspira o teu professor”, sim. Achei muito giro.😉 Beijinho

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  2. Limonada

    Sempre tive um enorme respeito pelos meus professores, sempre tive muito carinho por essa profissão e ainda hoje tenho ligação com alguns professores de liceu que me marcaram fortemente. Acho que a parte boa de ser professor é exactamente essa, a ligação que crias com os teus alunos. Não compensa o salário ridículo e a falta de tempo para ti, mas deve ser uma sensação muita boa! Digo eu que, apesar de ter tirado o curso de linguas, nunca leccionei. Ainda hoje penso nisso, como teria sido se tivesse ido para professora 🙂

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    1. T. Post author

      Também há alunos que nos dão vontade de fugir. eheh Mas é verdade: o melhor são as ligações que criamos com eles e ir vendo a sua evolução/transformação. 😉

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